Como os merchants asiáticos estão vendendo no Brasil?

06 . 25 . 2019

Os brasileiros tem cada vez mais acesso aos variados produtos da Ásia, especialmente da China, por meio do e-commerce cross-border e das facilidades de pagamento e entrega

As barreiras comerciais entre o Brasil e China estão cada vez menores e os brasileiros estão tendo acesso a uma grande variedade de produtos a preços e condições bastante favoráveis, visto que os chineses atualmente são os líderes em produção de manufaturados e apresentam os preços mais competitivos do mundo. Muitos dos produtos por lá produzidos ainda são indisponíveis para compra direta em lojas do Brasil, e a diminuição das barreiras comerciais geográficas proporciona para o brasileiro uma maior acessibilidade de consumo.

O país asiático aumentou sua participação no mercado internacional entre 2008 e 2017, tirando a União Europeia da liderança, como aponta o Banco Mundial. Em 2008, a China tinha 11,1% de share, saltando para 16% em 2017.

O e-commerce cross-border, altamente explorado no Brasil pelas gigantes mundiais Alibaba, Wish e Amazon¹, vende anualmente mais de US$ 3 bilhões, segundo especialistas, além de apresentar crescimento acima da média do varejo online, em torno de 15%. Mundialmente, este segmento movimenta US$ 350 bilhões anualmente e tem previsão de crescimento de 25% até 2020.

Alguns dos e-commerces internacionais que realizam vendas para o público brasileiro dão a possibilidade de pagamento em moeda local, como boleto, cartão de crédito nacional, entre outros, atendendo assim às especificidades e particularidades da cultura brasileira, com taxas exponencialmente mais atrativas que as normalmente aplicadas ao consumidor final quando estes têm apenas a opção de utilizar o cartão de crédito internacional. As vendas podem ser realizadas diretamente através das plataformas de e-commerce asiáticas, mas também por meio de plataformas locais e bem conhecidas pelos e-shoppers brasileiros, como o caso da B2W Digital, que lançou recentemente em seu marketplace um espaço destinado ao e-commerce cross-border, o Americanas Mundo. A nova sessão do tradicional site de e-commerce brasileiro oferece produtos importados de varejistas estrangeiros, incluindo países como China e Estados Unidos. Para isso, as lojas estrangeiras pagam uma taxa de comissão por cada produto vendido. Hoje a Americanas Mundo oferece pouco mais de 2,3 mil produtos nas categorias - relógios; informática e acessórios; automotivo; esporte e lazer; brinquedos; e beleza e perfumaria.

Todas essas facilidades são advindas graças aos avanços tecnológicos e de comunicação, além da otimização do setor logístico, que proporciona a entrega de produtos em todas as pontas do mundo em tempo e valores competitivos, tornando assim o livre comércio mais dinâmico. O mercado de pagamentos também tem grande influência nessa expansão, já que por meio de suas inovações e plataformas integradas, o processo pode ser realizado em diversas moedas, métodos e canais, de maneira rápida e eficaz. Os e-shoppers brasileiros, que chegarão a 96 milhões até 2021, representam um grande mercado em potencial para merchants internacionais, que cada vez mais estarão conectados a estes consumidores de maneira direta por meio de soluções de pagamentos adequadas para o público local, como também via empresas que adotam o modelo de marketplace, que integram múltiplas lojas em uma única plataforma.

Muitos players asiáticos já entenderam a oportunidade no mercado brasileiro e já estão fazendo o movimento de expansão, mas ainda há um grande volume a ser explorado, visto que o segmento de e-commerce ainda apresenta baixa participação no varejo em geral (3,3%), com previsões de crescimento bastante otimistas.

¹Webshoppers 2019 – Elo/ebit-Nielsen

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